home » matérias » ler matéria

Matérias

Insistência

por uma nova divisão de classes

03/08/2005 | por Rodrigo lariú

Esses dias li duas matérias que falavam de bandas lançadas pela gravadora carioca Deck. Numa matéria de um site falando sobre a banda Gram, a Deck era tratada como uma gravadora grande. Já em outra matéria de O Globo, sobre a Pitty, a Deck é descrita, sem cerimônia, como uma gravadora pequena que conseguiu o feito de vender 250 mil discos da menina bahiana... Mas que diabos é a Deck então?

A Deck, para quem não sabe, é dirigida por João Augusto (ex-diretor da filial da EMI no Brasil e do projeto fugaz mas vencedor da Abril Music) e pelo filho dele, Rafael Ramos (ex Baba Cósmica, ex VJ da MTV). Em seu cast de artistas, além de Pitty, Matanza, Gram, Ludov, Dead Fish, Cachorro Grande, que credenciam a Deck como uma excelente gravadora indie, estão também Art Popular, Falamansa, a dupla sertaneja Edson e Hudson, os pagodeiros do Tentasamba, Sorriso Maroto, o Ultraje a Rigor e o best-seller nacional, Grupo Revelação, que vendeu 700 mil cópias de seu disco. No site da Deck está lá: a gravadora já abocanha 2,6% do mercado fonográfico brasileiro. Depois de saber disso, acho que dá pra credenciar a Deck como uma gravadora grande, não dá?

Mas dai fica a confusão na cabeça das pessoas: as grandes gravadoras não são aquelas multinacionais que os independentes tanto odeiam? Sim, eram! Não são mais. Depois de ver Deck, Trama e Sum concorrendo de igual para igual com Monstro, Highlight e Reco-Head no recente Prêmio Claro de Música Independente (vencido pela Trama, óbvio) veio o alerta: é necessário uma nova divisão de classes neste mercado.

Basta comparar a verba gasta pela Monstro anualmente com a verba gasta pela Trama, Sum ou Deck. Acho que se juntar todas as pequenas gravadoras independentes não dá 1 mês de verba da Trama para lançar seus discos... Assim sendo, para por uma luz na cabecinha do povo do meio musical (jornalistas principalmente, afinal, como se vê em Brasília, a imprensa manda no país) proponho uma nova divisão de classes:

- Majors: são as 4 grandes multinacionais no Brasil: EMI, Sony / BMG, Warner e Universal.

- Grandes gravadoras: são as não menos ricas empresas brasileiras, que hoje são chamadas de independentes mas que dependem de muito mais coisa que nossa vã filosofia possa imaginar. Afinal a Trama é subsidiada pela VR Refeições, a Orbeat pela RBS, a Som Livre pela Globo e por ai vai. São elas: Trama, Sum, Deck, Indie Records, Atração Musical, ST2, Orbeat, Som Livre, etc. (obs.: e não há nada de errado em ter subisídios, eu adoraria ter um, mas não me venha com esta de "somos independentes")

- Pequenas gravadoras: são os realmente independentes e que não devem ser comparados, pelo menos financeiramente, com as grandes gravadoras: midsummer madness, Monstro Discos, Bizarre, Reco-Head, Slag, Highlight Sounds, OutrosDiscos, Lona, Hellion, Cogumelo, Baratos Afins, Protons etc.

Críticas, sugestões, opiniões para mmlariu@gmail.com

Compartilhe:
youtubelastfmrssdelicioustwitterflick-r facebook

Twitter



    Promoções

    Enquete

    Você vai ao festival SWU?






    votar

    ver resultados


    Cadastro

    Cadastre-se e receba atualizações e promoções exclusivas!


    completar cadastro