18/05/2005 | por Bruno Lancellotti
Já na passagem de som havia a certeza de que o show seria matador. Nos momentos que os músicos mostram realmente aquilo que gostam, os Slackers provaram o PA do clube Vallenatos, que hospeda o Caracas Club Ska, com muito early reggae. Deixaram tudo pronto para que as bandas de abertura - Via de Escape, punk ska da Isla Margarita, destino turístico número um da Venezuela, e Arawaks, latin-ska-jazz, hecho em Caracas - se encarregassem de aquecer a galera, cerca de 700 pessoas. Tira gosto apenas.
Depois de saudar os tantos Rude Boys de Cauricuao (cidade na região metropolitana de Caracas tida como a Meca dos rudes locais...) o Slackers começou seu show – ou melhor, aula. Logo no segundo som, Dave Hillyard e Glen Pine desceram pro meio da galera. Ensandecida, a galera gastou a sola. Até então, com aquele mesmo equipamento, ninguém havia tirado som tão perfeito. O Slackers é uma máquina de fazer ska, proeza alcançada graças aos seus mais de quinze anos de estrada e a uma dezena de lançamentos.
Todos ficaram boquiabertos com a presença de palco e a voz do trombonista Glen Pine. Sem parar um minuto sequer, cantando, tocando e dançando, ele ganhou o público. A mulherada ficou histérica. Com Vic Ruggiero não foi diferente. Quando começava qualquer música a galera arrepiava, cantava junto. Escondido atrás dos sopros, Marcus Geard tocava seu baixo elétrico da maneira que já se transformou em sua marca registrada. Utilizando um banco de bateria como apoio do seu instrumento, ele tocava seu baixo em pé, na vertical, tal qual um baixo acústico. Foi no mínimo inusitado. Segundo a banda, Marcus toca assim devido a um problema no pulso – ou pura esquisitice.
Sons inéditos
A primeira pedrada foi “Propaganda”, indispensável peça política dos Slackers – que faz ainda mais sentido tocada num país como a Venezuela chavista de 2005. O repertório incluiu clássicos como “Sooner or Later”, “Rude and Reckless” e “Cooking for Tommy”, tributo ao saxofonista dos Skatalites Tommy McCook, dentre inúmeras outras, em pouco mais de uma hora de show. Me surpreendi com a variação rítmica de alguns temas. Skas típicos foram tocados em ritmo de reggae – e vice-versa. Boa sacada. Houve espaço para temas inéditos, os quais não sei sequer o nome, e outros não gravados nos discos de estúdio da banda, como “Cupid” e “Exploitation”, um disco-funk a la slackeplotaition.
Temas mais inclinados ao dub não figuram no set list ao vivo, aparentemente, desde que o vocalista Marq Lyn (Qmax 420) foi curtir seus dois filhos no Japão. Ausência sentida. Outros Slackers de muito tempo já não integram a banda. Jeremy Mushlin, trompetista e dub-voice em muitos sons, e Luis Zuluaga, baterista, tocam agora no Scoorchers, de NYC. TJ Scalon pediu férias para acompanhar o crescimento do filho. O sub (ou efetivo?) Agent Jay é, talvez, melhor que seu parceiro. Senti falta de “Manuel” e “Sarah” e de mais algumas poucas. E lamentei muito não poder assistir mais duas horas de Slackers. Foi um noite daquelas...
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