26/06/2009 | por Carina Silva
Juninho fala sobre as dificuldades que o RDP enfrentou no começo da banda, das mudanças na cena underground brasileira, da história da banda e, claro, sobre música punk/hardcore.
- O documentário Guidable - a verdadeira história do Ratos de Porão, está chegando ao sul em junho, com apresentação
Esse filme foi feito principalmente pelo material que o Gordo tinha guardado na casa dele, inúmeras fitas de vídeo antigas de turnê, shows, imagens de roles, e também arquivo de fotos.
Todos podem esperar um filme muito engraçado, onde todas as histórias são reais e nenhuma pessoa foi poupada.
Eu sou o integrante mais novo da banda, entro ali na história praticamente na parte final do filme, mas mesmo assim fica claro que o espírito da banda continua o mesmo, as histórias engraçadas não tem fim e recordar as coisas antigas é sem noção são o que mais recheia o filme.
A produtora Black Vomit que desenvolveu o filme, com nossos amigos Fernando Rick e Marcelo trabalhando dia e noite editando imagens foi possível chegar nesse resultado brilhante que todos da banda gostaram muito.
O legal é assistir depoimentos de hoje em dia de todos que passaram pelo Ratos, desde Betinho, Jabá, até o Walter, que tocou baixo por menos de um ano na banda.
- No documentário se fala muito de movimento punk, vocês acham que ele realmente ainda existe e como vocês o enxergam hoje? E como era o movimento punk na década de 80, vocês tinham noção no que estavam metidos, seguiam os ideais ou apenas seguiam a onda?
Bom, essa é uma pergunta que eu não posso te responder com precisão, pois eu não vivi o movimento punk nos anos 80.
Eu vejo mais pelo lado histórico da coisa, uma parada que foi surgindo praticamente no mundo todo, que teve sua importância na época, teve seus valores, criou uma bela história, ótimas bandas, fanzines, e isso serviu como referência pra toda uma geração que surgiu depois.
Hoje em dia as coisas mudaram demais, isso é uma opinião minha e também do pessoal mais antigo, e mudou por vários aspectos, principalmente pela facilidade que temos hoje em dia de conseguir as coisas, por exemplo, conseguir instrumentos, montar banda, lugar pra tocar, coisa que no passado era muito mais escasso e raramente se conseguia desenvolver coisas legais.
No início do movimento as idéias eram um pouco equivocadas, mais por culpa das informações que eram muito escassas. A idéia do faça você mesmo, do estilo de vida punk, foi criando forma com o dia a dia das pessoas daqui, e não 100% copiado do padrão europeu/americano que chegavam com cartaz e fanzines.
Isso foi uma coisa muito positiva, que criou uma identidade do movimento por aqui, que podemos dizer que é uma soma dos ideais com a realidade brasileira do começo dos anos 80.
- O que mudou do Ratos de Porão do início comparando com o de agora?
As coisas mudaram muito de 81 até hoje, isso engloba desde a idade de todos os integrantes, influências musicais, vida familiar, outros projetos de vida. Mas o espírito de tocar punk/hardcore é o mesmo, pois a banda continua tocando até os dias de hoje pela clara amizade entre os integrantes, e também para mostrar que não se existe idade pra fazer isso, que você pode ter família, esposa, filhos, outros empregos, e mesmo assim continuar tocando, viajando e levando sua música e suas idéias pelo mundo afora.
- Sobre a tão comentada traição ao movimento punk, o que vocês têm a dizer?
No documentário é falado uma parte sobre isso, sobre a época que o Ratos disse que começou a tocar hardcore, e não mais punk. Isso em um fanzine perto de 84, 85, e depois disso também começaram a freqüentar o meio metal, que foi a fase ali do descanse em paz em diante.
A explicação dessa mudança de “rótulo” era que no meio punk sempre tinham muitas brigas, quase não tinham shows, e então o RDP procurou um meio para continuar tocando e divulgando seu som, e o mais importante de tudo que a forma de fazer aquela música e as letras nunca mudaram, nunca deixaram de ser punks ali, nunca abandonaram o movimento. Ao contrário de muitos punks que viraram crentes, drogados, ladrões ou mesmo gente que começou a tocar outro tipo de música, muitos new wave ali naquela época no meio dos anos 80.
Hoje em dia percebemos isso com mais naturalidade, sabemos que as misturas de estilos só acrescentaram pra evolução da música naquela época, e também sabemos que o Crossover é uma mistura de hardcore, punk, metal, e era isso que o Ratos fez naquela época.
- Como vocês vêem a música brasileira atual? Existe alguma banda nacional que vocês escutam em casa? E, hoje, quais são as maiores influências do RDP?
A leva de bandas boas nacionais hoje em dia é grande, mas podemos falar mais do hardcore/punk e metal, onde é nosso meio. São bandas que estão tocando muito por aqui no país, e algumas delas fazendo turnês pra América do Sul e Europa também.
O nível das bandas é bem alto, não ficando pra trás das bandas de fora, dividindo palcos em festivais, e em qualquer lugar representando a qualidade do som brasileiro.
Aqui alguns exemplos das bandas que gostamos: D.E.R., Sweet Subúrbia, Torture Squad, Krisiun, B.u.s.h., Os Estudantes, Confronto, Facada, D.F.C., Subtera, etc.
As influências do RDP hoje em dia, dependem muito do que cada um anda ouvindo separadamente, mas são bandas que sempre procuramos mostrar uns aos outros, como Phobia, Converge, Poser Disposer, Send More Paramedics, Looking for a Answer, etc.
- Nos contem uma situação que tenha acontecido com a banda na década de 80 que não aconteceria hoje com bandas.
Em 89, pela primeira vez que o Ratos foi pra Europa, eles fizeram toda a turnê de trem!!! Isso é um absurdo, pois nunca pode fazer uma coisa dessas. São muitas malas pra carregar, os instrumentos, e isso sem ter uma van, fica praticamente impossível fazer uma turnê, ainda mais que se gasta muito dinheiro.
- Dia 28 de junho teremos show do Ratos de Porão aqui no sul, na cidade de Canoas, o que podemos esperar da apresentação?
Será um prazer tocar no sul novamente, a última vez já tem uns dois anos, foi no bar Opinião. O público pode esperar um show intenso, com um set list bem variado, onde serão tocadas músicas de toda história da banda.
- Algum plano da banda para 2009? Deixem um recado para os leitores do PUNKnet que curtem RDP:
2009 está sendo um ano muito bom para o RDP, já tocamos em alguns lugares que nunca tínhamos ido, como Tocantins, Caracas na Venezuela, e agora em julho a banda irá tocar no México. Na seqüência, mais uma tour na Europa, passando pela Finlândia e Eslovákia, também dois países inéditos para o grupo. Até o final do ano será feito mais um disco, e além dele um split com os espanhóis do Looking for a Answer de Madri.
O recado é muito hardcore para todos, o Ratos está aí na estrada há muito tempo, mostrando que isso não é brincadeira, mas sim onde aprendemos muitas coisas na vida e conhecemos muita gente.
Confiram todas as datas dos próximos shows e das turnês no nosso www.myspace.com/ratos
Valeu!!!
Juninho, baixista da Ratos de Porão, fala sobre a trajetória da banda, movimento punk e documentário Guidable', 'http://punknet.com.br/entrevistas/mostra_entrevistas.php?id_entrevistas=251', '#materia-letra');" >
02/09/2010 – Yuri Nishda, banda VOWE
24/08/2010 – Carbona
20/08/2010 – Grinders
17/08/2010 – Mike Herrera
13/08/2010 – Luringa
08/08/2010 – The Name
06/08/2010 – Medellin
29/07/2010 – Borderlinerz
27/07/2010 – Trinity (Venus Volts)
19/07/2010 – Banda toca no Rio de Janeiro e São Paulo
06/07/2010 – Pedro Peli
23/05/2010 – Redson (Cólera)