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Entrevistas

Marcio Faveri e Patricia Tinajero Faveri

Os Web Rockers

25/05/2009 | por Tiago Scatena

Marcio e Patricia, diretamente da agência Web Rockers e do Portal do Rock, bateram um papo com a PUNKnet contando sua história, um pouco do processo de se trazer uma banda gringa às terras tupiniquins e também as "frescuras" das atuais estrelas do rock.  Possuem grandes nomes em seu portfolio, como The Adicts, Less Than Jake, Buzzcocks, Toy Dolls, Goldfinger e recentemente a lendária Down By Law.
O grupo na mira desses caras agora é o The Calling, liderado por Alex Band que pinta no Brasil no mês de junho. Também realizarão a primeira edição do Horrorbilly Fest, festival de psychobilly, horrorpunk, rockabilly e gothic punk, que deve acontecer periódicamente no Brasil, com as bandas Slim Jim Phantom e Blitzkid, ambas americanas, sendo que a primeira tem na batera (como o nome já diz tudo) o baterista da clássica Stray Cats, além da abertura dos Bad Luck Gamblers da capital paulista.
Agora vamos a conversa:

 

Como e quando a Web Rockers surgiu no Brasil e em que cidades vocês atuam. 

Marcio: A Web Rockers começou suas atividades oficialmente no começo de 2008. Nossa sede fica em São Paulo, mas produzimos shows nas principais cidades do Brasil e da América Latina. 

Conte-nos como é o processo de negociação ao se trazer uma banda estrangeira. Existe diferença entre trazer uma banda norte americana e uma londrina, por exemplo. 

Marcio: O mais importante é a escolha da 
banda. A gente tem um critério que prima por escolher bandas que nunca vieram ao Brasil e que tenham um público legal aqui. Claro que também costumamos trazer bandas que nunca teriam oportunidade de vir ao nosso país, por serem “pequenas” ou por não despertarem tanto interesse em outras produtoras. Encaramos isso como uma aposta nossa. Escolhida a banda, entramos em contato com a agência que gerencia a banda, negociamos as datas e os cachês, finalizamos os detalhes dos shows, assinamos contrato e anunciamos a tour. Não existe muita diferença entre trazer bandas americanas e inglesas do ponto de vista logístico. O que faz diferença nesses casos é que percebemos que os americanos não se envolvem muito com o pessoal aqui do Brasil ou da América do Sul. Eles vêm, tocam e vão embora, apenas business e mais nada, com raras exceções. Já os ingleses fazem questão de curtir o país, sair na balada, conhecer nossa cultura, nossas coisas. São mais amigáveis. 

Qual é o maior empecilho ultimamente para se trazer uma banda e estrangeira? 

Marcio: Os grandes festivais que acontecem anualmente no Brasil superfaturam os preços dos cachês das bandas, porque são festivais feitos com dinheiro de grandes empresas, na maioria das vezes multinacionais. Por exemplo, teve um festival que alguns anos atrás ofereceu US$ 100 mil para um show do Rancid aqui em São Paulo. Agora a agência do Rancid pensa que esse é o preço pra eles virem fazer um único show no Brasil. E assim por diante. Isso atrapalha e muito nossas negociações. O resto a gente tira de letra. 

Quando os gringos chegam, vocês os acompanham 24hras por dia ou deixam eles mais livres, apenas assessorando nas horas dos shows. 

Paty: Não! Jamais ficamos de babás das bandas! Eles querem liberdade quando não estão trabalhando. Geralmente buscamos a banda no aeroporto, levamos pro hotel, almoçar e depois os deixamos livres para fazerem o que quiserem. Claro que sempre deixamos alguém da nossa equipe de suporte e sempre alerta, no caso a banda precise de alguma coisa. Mas no geral, eles ficam livres o tempo todo quando não estão com os compromissos ligados aos shows. E isso é um grande diferencial da nossa produtora. 

Como que vocês lidam com as extravagantes exigências dessas estrelas do rock mundial, rola uma grande burocracia com eles ou seus agentes? 

Marcio: Geralmente são os managers que dão mais trabalho, como por exemplo na tour do Buzzcocks. Foram tantas exigências, como vinho importado, champagne Moët Chandon importada, queijos finos de vários tipos, etc. E no final, depois do show, sobrou tudo e eles levaram numa caixa na van e acabaram dando tudo para os mendigos na rua. E ainda filmaram essa “boa ação” como uma lembrança do Brasil, mal sabendo que os idiotas dos produtores do show (no caso, a gente) suaram a camisa para atender todos os seus pedidos e gastaram uma puta grana desnecessariamente. Vocês acham que mendigo quer queijo fino e champagne importada? 

Paty: O John Feldman ,vocalista do Goldfinger, também deu muito trabalho. O cara é uma verdadeira “estrelinha”. Só voa de primeira classe e com a American Airlines. Não adianta reservar vôo pra ele de classe executiva ou com outra companhia aérea. Ele não entra no avião se não for dessa forma. E também faz vários pedidos esdrúxulos, como por exemplo ele queria freqüentar uma reunião do AA (Alcoólicos Anônimos), mesmo a reunião sendo em Português, língua que ele não entende absolutamente nada. Para o show ele exigiu que embaixo do pedestal do microfone dele fosse colocado um tapete original indiano. Tinha que ser indiano!! Segundo ele, era pra dar boas vibrações e também se ele escorregasse cairia em algo “sagrado”. Ele também exigiu em seu camarim várias garrafas de água importada, queijos finos de países exóticos, molhos extravagantes, frutas secas, vegetais orgânicos para salada, mas que nunca tivessem sido cortados. Ou seja, intactos como se tivessem sido colhidos naquela hora. Ele também exigiu trazer um cara com ele, tipo um secretário, que literalmente não fez nada durante os shows e não serviu para nada, a não ser para dar chicletes na boca dele enquanto ele tocava. Mas “bem no fundo” o John era uma ótima pessoa, um excelente músico, um exímio vocalista e um profissional de primeira. Apenas meio fresco. 

E o que vocês acham do trabalho conjunto entre marido/mulher, ambos no ramo musical, vocês se entendem bem, brigam mais, é como se fosse qualquer outra pessoa ou ‘all we need is love’? 

Paty: A gente se dá muito bem e temos os mesmos gostos em tudo. As idéias dos shows e das tous que fazemos sempre saem da sala da nossa casa, principalmente quando estamos assistindo a uns vídeos de bandas e conversando sobre nossos projetos futuros. Sempre estamos pensando em fazer algo novo e original.

Marcio: Eu e a Paty temos um objetivo comum com a Web Rockers e estamos trabalhando muito e em sintonia para alcançar esse objetivo. Para mim é mais do que um prazer e uma alegria poder ter minha esposa trabalhando junto comigo, dando uma força em tudo, fazendo as coisas acontecerem junto comigo e se dedicando 100% aos nossos projetos. A Web Rockers é como se fosse um filho pra gente. 

De uns tempos para cá o numero de shows e festivais no Brasil cresceram bastante, isso se da ao fato do Brasil ter milhares de fãs, ser barato de se fazer show (mesmo com bandas nacionais) aqui ou os gringos gostam de conhecer a beleza brasileira e nossa famosa caipirinha? 

Marcio: O que está acontecendo nesses últimos dois anos é que com a crise financeira mundial os mercados tradicionais das bandas de rock, que sempre foram Europa, EUA e Japão, estão saturados, marcando menos shows e pagando menos para as bandas. Então o Brasil e a América do Sul acabaram tomando a atenção das agências das bandas, que visam o lucro rápido e as melhores negociações. Aqui no Brasil tem muita produtora que é comandada por gente que sempre trabalhou com especulação monetária, investindo dinheiro em bolsa de valores, bingos, etc. Hoje isso não dá mais grana, então está acontecendo uma verdadeira chuva de dinheiro na área do show business aqui. Todo mundo quer investir sua grana em shows, mas nem sempre dá certo, pois faltam experiência e feeling de mercado.

Paty: Tem algumas bandas menores que realmente vem pra cá só pra curtir e liberar geral. Aqui no Brasil é tudo liberado. Eles sabem que vindo pra cá vão ter tudo à disposição, desde bebidas, drogas e até mulheres, porque infelizmente a mulher brasileira é vista lá fora como “mulher fácil”. Então eles vêm pra cá e chutam o pau da barraca literalmente! Nem se incomodam muito com o quanto vão ganhar pelos shows. Querem mais é se divertir e tirar umas férias pagas, com passagem aérea, hotel e rango grátis!

Algumas turnês nem sempre são o sucesso esperado e com certeza podem surgir imprevistos. Alguma banda já cancelou com vocês perto da data do show? 

Marcio: Se existem cancelamentos muito perto das datas dos shows é porque o promotor brasileiro deu alguma mancada, não pagou os cachês, não pagou os vistos, não comprou as passagens aéreas, enfim, não seguiu o que manda o contrato. Isso é trabalho típico de amador. Claro que algumas vezes ocorrem cancelamentos às vésperas dos shows, mas são por motivo de força maior, como acidentes, mortes, etc. E às vezes, devido às vendas muito fracas de ingressos, a própria banda e sua agência, em comum acordo com o promotor local, decidem cancelar alguns shows, para evitar repercussões negativas com o nome e prestígio da banda.

Paty: No nosso caso, tivemos os adiamentos dos shows do Circle Jerks e do The Adicts em 2008, por motivos de doença nas bandas, ou seja, motivo de força maior. Mas assim que tudo se normalizou, os shows foram remarcados imediatamente e aconteceram numa boa em 2009. Essa história de culpar a crise financeira, a alta do dólar, o preço das passagens, a frente fria, etc, para cancelar shows ás vésperas, são desculpas esfarrapadas para esconder a verdade, que na maioria das vezes é que a produtora não fez o que estava previsto em contrato, não comprou as passagens, não providenciou os vistos, não pagou os cachês adiantados, etc. 

A turnê mais prazerosa realizada até agora foi: 

Paty: Pra mim com certeza foi a do The Adicts. Sempre fui fã da banda e depois de ver a humildade deles e o espetáculo que eles fazem no palco só aumentou minha admiração pela banda. 


(Banda The Adicts que fez um tremendo espetáculo em SP)

Marcio: Eu concordo com a Paty. O The Adicts é um espetáculo em todos os sentidos. Eles são gente finíssima! Claro que tenho um orgulho muito especial de ter trazido o Olga do Toy Dolls ao Brasil, depois de 11 anos que ele não dava as caras por aqui. E também foi muito prazeroso trazer o Toy Dolls para fazer shows em nosso país novamente. O Olga é um cara único e fantástico. Tornou-se um amigo pessoal da nossa família, pra sempre.

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