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Entrevistas

Fabio Massari

REVERENDO MASSARI SOLTA O VERBO.

16/10/2007 | por Alexandre Bezzi (Bezzi)

Favoritas da casa! Discoteca obrigatória!
Esses são alguns dos bordões imortalizados nos extintos e saudosos programas Rock Report e Lado B, que eram apresentados pelo figuraça Fábio Massari.

Sem querer, Massari criou uma legião de apreciadores de novos sons que estavam cansados da mesmice do mainstream.

Bandas antes desconhecidas como Pavement, Sonic Youth & Flaming Lips, ficaram famosas no programa que era transmitido religiosamente aos domingos na mtv Brasil das dez à meia-noite. Eu mesmo sempre chegava atrasado nas aulas segundas de manhã porque não perdia uma edição!

Contactei o “reverendo” e perguntei sobre música (lógico) e qual a sua opinião sobre o futuro da indústria fonográfica.

Com vocês, Fábio Massari.

 

1- Quando e como surgiu seu amor pela música? Quem te deu o famoso apelido “Reverendo Massari?”.

O lance do reverendo e culpa do Sr. Luis Fernando Duarte, mais conhecido como Thunderbird! Foi lá nos tais primórdios na Mtv. Para falar a verdade desconheço a explicação oficial do apelido e, em se tratando do Thunder, é melhor assim.
Já o lance do “amor” pela música é antigo, desde moleque. Incluo nas primeiras audições: Elvis, Alice Cooper, Beatles, Secos e molhados e algumas esquisitices italianas.


2- Que disco você ouviu até furar?

Putz, não sei nem por onde começar! Desde aquele que eu considero o primeiro da massariana (a coleção!), “Muscle of love” do Alice Cooper, até as doideras japonesas que tem feito muito a cabeça, como Boredoms e Acid Mothers Temple. E vários do Zappa, Blondie, Radio Birdman, Nick Cave, etc. Tenho um monte de disco furado!


3- Qual foi o pior disco (ou o mais decepcionante) que ouviu na vida?

Aí também é difícil né? Porque disco ruim eu não ouço e não coleciono. Tem aqueles que realmente não são legais, decepcionam, ou algo parecido. Mas se é um decepcionante de alguém que você gosta, beleza. Sempre vai ter algo aproveitável “macrocosmicamente”.


4-Você fez muitas entrevistas com os mais variados artistas, qual foi a mais fácil e qual foi a mais difícil?

Acho que as entrevistas (minhas) mais lembradas pelas pessoas são aquelas com os figurões, tipo U2, Rolling Stones etc. Que foram muito legais claro. Mas sempre foi muito divertido (mais a minha praia) ir atrás das coisas/figuras diferentes. Zappa é uma importante. Os Ramones. Cobrir os festivais tipo Juntatribo, Abril Pro Rock.. É sempre legal trocar uma idéia com as “pessoas”.A minha mais notória não-entrevista continua sendo aquela com o Lou Reed no Rio.


5- Atualmente as bandas novas não passam de um ou dois singles, a cultura das “bandas de álbuns” está morrendo? Será um reflexo da geração de consumo rápido?

É legal estar vivendo essa revolução. Tendo a achar que o “meio”, ou o “modo” de consumo interessa (deveria?) um pouco menos frente à questão capital que é o som, a música. Se for k7 ou som digital baixado do blog especializado, o que interessa é a sacação dos bons sons. Só porque a banda é esperta no trato com os novos meios de realização/divulgação, quer dizer que ela faz boa música? Aqui não trutão! O lance da cultura das bandas de álbuns merece discussões/considerações. Em que medida esses novos meios altera o próprio processo criativo das bandas? Notícias nos próximos capítulos.


6- Como bom garimpador de vinis, você acha o cenário atual pessimista? Lojas bacanas como a Village music e Tower records fecharam suas portas devido à concorrência desleal da internet e de novas mídias. O vinil está ameaçado de sair do mapa como previam anos atrás?

Pois é, lojas de discos como as conhecíamos, aparentemente, não mais. Os vinis e cds vão continuar circulando, claro, por um bom tempo. Mas não são mais as ferramentas da indústria, imposta em ritmo de monopólio estético-cultural. Acabam por ganhar uma nova aura, passam a ter um valor diferenciado. Na medida em que as edições são mais limitadas e elaboradas “plasticamente”, o “produto” ganha um novo status, deixa de ser aquela coisa da linha de montagem e acaba chegando mais perto do...Objeto de arte?


7- Lado b e Rock Report deixaram saudades, onde os internautas podem ouvir seus programas e suas seleções musicais?

Rock Report e Lado B: A missão! Essa missão continua. Nos livros, por enquanto três (o da Islândia, do Rock Report e do Zappa). E na “rádio”, on-line, no IG, tem o Poploaded, programa apresentado em parceria com o Lúcio Ribeiro. Dentro de alguns dias, vou concentrar algumas dessas informações no meu modesto site.


Escute o programa Poploaded: http://radiopoploaded.blig.ig.com.br/

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